quarta-feira, 23 de setembro de 2015

equinócio sul


é primavera [sempre foi]. que me perdoem os polares, mas o meio do mundo é um caminho mais sereno de se trilhar. há pedras, declives, terrenos áridos e distâncias, hostilidades corriqueiras e eventuais dissabores, ainda assim nada se compara a imensidão gelada daquelas eiras, noites longas ou dias sem fim que me desamparam.

ontem, à vaga lua que cresce, praia vazia, nove mulheres nuas dançavam no entorno da fogueira, soltavam seus cantos gozosos anunciando efemérides, sacrificaram uma existência e devotaram a Vênus que desliza Escorpião, às entranhas maculadas florescem e aos olhos da virgem se despem das máscaras que os dias impõem.

é primavera e os polares que me perdoem...

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