teste para leitura provisória
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
domingo, 26 de junho de 2016
horizontes
meus caminhos não são retos, nem tortos; apenas caminhos, às vezes curvilíneos que avistam distantes horizontes. meus dias são estáticos como num amanhecer que repousa sereno. há o mar e há as nuvens e pegadas na areia de se perder. tenho uma oração gravada no pulso, um sonho agarrado aos dedos e notas de pianos como memória. hoje, reverberei palavras que o vento dissolveu. sou a espuma do mar. sou a curva na nuvem. sou as horas que adormecem no ângulo escaleno dos ponteiros do relógio. tudo sou, nada sou.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
tudo certo, nada certo
a equipe se posiciona no corredor, a retaguarda ocupada pelo
apoio tático. Entre eles, Haucke, o delegado que comanda a operação. Diante do
117, Elke e Duarte repassam, por meio de sinais, a função de cada um: ele
moverá o trinco da porta enquanto ela bate se identificando e imediatamente
Franco, entre os dois, arrombará a porta. Elke sabe que precisa manter os
braços esticados na altura do queixo, a arma apontada na direção do sujeito que
será detido, melhor, que será morto na operação, um traficante que atua como
intermediário a partir do cartel de Cali usando os portos brasileiros como
forma de enviar pasta base para processamento de drogas sintéticas para
Amsterdam e receptando essas drogas vindas da Europa. O ponto principal dessa
operação é de um risco calculado e o único propósito é retirar esse
intermediário, um agente da Polícia Federal que se infiltrara numa das mais
ativas quadrilha de tráfico internacional, numa simulação de enfrentamento que
resultaria na “morte” desse traficante
A equipe de apoio, na retaguarda, e um hotel de quinta categoria
nas imediações do porto serviriam de testemunha e cenário para assegurar a
legitimidade da operação. Depois entrava a perícia assegurando a encenação a
partir de dados, detalhes e a documentação necessária. Por fim, matérias
jornalísticas para dar publicidade e repercussão ao fato.
Haucke, que participara, desde o início, do planejamento da
operação, estava entre as duas equipes, a Especial que ele comandava, e a de
Apoio Tático que se incorporava ao grupo na última hora, próprio da estratégia
corriqueira.
Elke é sua filha, está há cinco anos na polícia, formada em
Direito e prepara sua carreira para assumir um posto de delegada nos próximos
anos. À frente da rendição desse intermediário é uma forma segura de lhe dar
pontos no currículo, mesmo que se trate de uma operação de fachada.
Antes de darem início à operação e com o movimento nos
corredores, a porta do 118 se abre e ouve-se uma voz entre o grave e meloso
expressar um “Ai, meu Deus” e imediatamente fechar a porta obrigando as equipes
a recuarem. Haucke, entre as duas, sinaliza que mantenham as posições.
Breve silêncio.
Um sinal de Elke e Duarte move o trinco dando início à
operação. Na sequência, Elke cumpriria o protocolo: anunciaria a presença policial,
exigiria a rendição e, sem tempo para reagir, entrariam à força sabendo, de
antemão, que não haveria respostas. Para dar credibilidade à morte do
informante, fazendo parecer aos membros da quadrilha que um de seus integrantes
teria “caído”, os policiais seriam recebidos a tiros. Elke usa um, o agente
atiraria em seu abdômen – protegido por um colete a prova de balas –, daí a
insistência de Duarte que ela entrasse mantendo o braço esticado numa
inclinação de 30 graus, assim lhe ofereceria condições de atirar sem riscos e
legitimaria a reação. Ela própria alvejaria o criminoso alegando legítima
defesa entre outras prerrogativas judiciais. Em seguida, a Perícia faria a parte
que lhe cabe e entregaria o “corpo” à PF. Mas mal Duarte toca o trinco, a porta
se abre, Elke nem teve tempo de terminar a palavra “polícia” e um cenário
surpreendente se revelou diante dos policiais: ao contrário de um homem em pé,
ou mesmo sentado, à espera de cumprir com o roteiro combinado, encontram um
homem deitado, imóvel, o rosto tombado na direção oposta à porta, calçando
apenas um dos pés de sapato, o outro seria encontrado no quarto, próximo à
cama, o paletó aberto, a mão esquerda ao lado do corpo, a palma para cima, os
dedos encolhidos.
O impasse se instaura à porta do 117. Haucke, no corredor
entre as equipes, assim que percebeu o olhar de seus agentes, sacou a pistola
que carrega da parte de trás da cintura e perguntou em tom baixo sobre o que
estava acontecendo. O Tático que se agrupava logo atrás fez menção de avançar,
mas Nestor, que os comandava, manteve-os nas posições.
Elke e Duarte entram, apontam a arma para o sujeito imóvel
na cama, o procedimento agora é real, Franco posta-se na porta fazendo o mesmo
e Haucke se aproxima também com a arma apontada para dentro quarto. Elke
escorre pela parede enquanto se posiciona Duarte aos pés da cama. O Tático faz
menção de avançar mas é contido, uma vez mais, ao sinal de Nestor. Duarte se
inclina e percebe que o rosto do homem, hematomas no olho e ferido nos lábios,
cabelos quase raspados, está sobre uma larga mancha de sangue absorvido pelo
lençol. Duarte toca com sua arma toca o pé descalço do homem, que não reage. E
repete ainda duas vezes. É nesse intervalo que Haucke entra no quarto, a
pistola na mão pronto para disparar se for preciso e sua expressão vai mudando
ao se aproximar do homem na cama. Nesse tempo, Duarte não tem mais dúvidas, “O
homem está morto”. Eles se olham, Haucke guarda sua pistola lentamente, olha
para o homem sobre a cama e pede para que chamem Balena, da perícia, Franco, da
porta, grita para que o Tático providencie a presença do perito-chefe conforme
a exigência do delegado.
A situação instaura um desconforto na equipe, os semblantes
entre surpresa e incerteza revelam desacertos que se seguem como a presença de
Mendes, um repórter da área criminal que fora “convocado” para cobrir a prisão
de um perigoso narcotraficante. Haucke praticamente o expulsa do local, mas ele
vira o suficiente para saber além do que estava combinado.
domingo, 3 de abril de 2016
tempos inglórios, II
esse gosto, esse cheiro, pútridos, só podem ser da água. tom escuro escorre em largas manchas. dos volumes pastosos na superfície, sabe-se lá de quê, rejeitos, dejetos, qual nome seja, assinalam o rio morto. me banhei, dali bebi, nada mais, à terra árida, o pó que assenta, remoinhos de primavera, a preguiça que adensa no corpo. o pássaro pia, é prenúncio, avisa que alma nenhuma há de se chegar e largo o peso do corpo, dobro em joelhos e invoco nas rezas meu desespero. tenho um nome, ninguém me chama. na noite que se acalma, abancado diante da porta, avisto os luzeiros do céu, as alumiadas do tempo, ensejo umas graças e digo seja Nossa Senhora quem me atenda. daí durmo sonhando com anjos que embalam e sopram nas narinas os gozos da fome. é cedo e outra vez tomo rumo no mato, atento às arrulhas e vozerios, dali de uma batida, uma cotia desavisadaa, é antes ela que o milharal ainda a brotar e vencer desatinos. miro deitado dedicado na pontaria, adianto no rastejo uns lances de aproximação assegurado que o alcance seja feito de precisão e antes um pouco do tiro certeiro me aparece o filhote, os filhotes, implorando a bênção da mãe lhe agarrando as tetas esfomeados que são, assim, desde nascença. a fome, digo, que me arrebata três dias é vencida nesse desgraça que me acalora o ventre, e deixo que sigam suas sinas rastejantes, antes eles no mato na luta e desamparo que eu, feito homem, cheio de fé perdida e esperança sem tempo.
terça-feira, 29 de março de 2016
tempos inglórios, I
deleitam-se em banquetes, regozijam diante das damas, brindam suas medalhas irrelevantes exibidas no peito, dos lábios lambuzados de licores juras de amor sopradas. assim é a corte. não há quem se deite faminto senão em fastio, embriagado de vinho requintado em lençóis de seda. nas ruas, a fome devassa, a criança suja chora, o homem em trapos recolhe restos.
em campos distantes, notícias de batalha tratam o silêncio das cartas que desemboca em noites longas, fere em lâmina aguda o peito em dor, a oração aflita diante da santa, a mãe, a esposa, a amante.
dois poetas em desatino disputam trovas de versos em súbito, dançam no sereno à madrugada ébria em valsas noturnas. o gato ondula o reflexo em poças que refletem o mundo, janelas vergadas e paredes sujas, um poste cego e duas estrelas cintilam em nuvens vesgas.
lúgubres, seguem em versos os poetas, invocam das profundezas seus anjos interiores enfrentando com a poesia bêbada todas as feridas do mundo. descalço, oferece ao cão vadio afago, duas palavras de conforto, um nome de apego.
no porto, logo ali, a bandeira da pátria trêmula, pano apenas, cores em geometria, sangue aos que dela fazem suas glórias nesses tempos desatinados.
em campos distantes, notícias de batalha tratam o silêncio das cartas que desemboca em noites longas, fere em lâmina aguda o peito em dor, a oração aflita diante da santa, a mãe, a esposa, a amante.
dois poetas em desatino disputam trovas de versos em súbito, dançam no sereno à madrugada ébria em valsas noturnas. o gato ondula o reflexo em poças que refletem o mundo, janelas vergadas e paredes sujas, um poste cego e duas estrelas cintilam em nuvens vesgas.
lúgubres, seguem em versos os poetas, invocam das profundezas seus anjos interiores enfrentando com a poesia bêbada todas as feridas do mundo. descalço, oferece ao cão vadio afago, duas palavras de conforto, um nome de apego.
no porto, logo ali, a bandeira da pátria trêmula, pano apenas, cores em geometria, sangue aos que dela fazem suas glórias nesses tempos desatinados.
segunda-feira, 28 de março de 2016
por suposto, Emma
de se perguntar, ao se ter a notícia àquela hora da tarde, o que levaria Emma tal atitude? especula-se que lhe atormentava a própria beleza em declínio, a idade que lhe impunha os primeiros sinais de decadência e não suportar se olhar n espelho e perceber que anos lhe cobravam o declínio natural. mas há, quem possa, afirmar que não se tratava de tal obsessão senão os dias insuportáveis compartilhados com Rudolf ao longos de quase quinze anos. e havia, por suspeita, um destino já traçado e foi como se lhe dissessem não. porque não se tratava apenas de Rudolf senão de Gerrard e tudo o que havia no entorno. Vera lhes disse não saltando do nono, um voo que quebrou a monotonia outonal daquela tarde e encerrava a insanidade de sua gente.
quadra zero ponto seis
epicentro.
em Nostradamus, na sexta Centúria, a Sexta, condenava descrentes de suas palavras.
em Varnas, a rádio alternativa, epicentro da narrativa (última temporada), um ponto de resistência e trincheira, de onde tudo se percebe e denuncia (apenas como registro, nada muda o curso das coisas).
em breve, no ar!
programas alternativos de poesia, literatura e música, notícias comentadas e documentários radiofônicos.
em Nostradamus, na sexta Centúria, a Sexta, condenava descrentes de suas palavras.
em Varnas, a rádio alternativa, epicentro da narrativa (última temporada), um ponto de resistência e trincheira, de onde tudo se percebe e denuncia (apenas como registro, nada muda o curso das coisas).
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