ninguém sabia das horas. há dias confinados, aguardavam o sinal de Olivo, como combinado. os homens de Muñoz circulavam em viaturas nas imediações da Chacabuco pela madrugada de ontem, o dispositivo alertara que os pontos estavam vigiados e, era certo, alguém lhes havia traído.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
terça-feira, 17 de novembro de 2015
relato, primeira passagem
ainda pela manhã, pouco antes das onze, vi que o automóvel estacionara nas imediações da Estados Unidos, como me haviam antecipado. desceram três homens, um deles já de idade bem avançada, vestia-se com sobriedade e se protegia com chapéu de feltro e cachecol apesar de não fazer tanto frio como era de se esperar em fins de outono.
à primeira impressão, tratava-se de alguém importante, mas não o conhecia, nem o vira em qualquer das situações que tive oportunidade de ser apresentado às autoridades governistas ou mesmo àquelas que se opõem ao atual mandatário na Rosada.
no café, de onde me postei para acompanhar os acontecidos e aguardar para que se confirme o que está previsto, consegui apenas dois ângulos razoáveis para o registro fotográfico. ao desembarcar, seguiram adiante, em oposição de onde me encontrava, tomaram a Chacabuco e desapareceram à esquerda, na esquina onde há uma loja de ferragens e Vicente os acompanhava.
relata que entraram numa das residências, um edifício de seis andares, localizado à direita, na metade geométrica da rua. conversamos rapidamente, evitamos nos manter na loja e na rua onde se instalaram e mudamos a tática, passamos a vigiar o automóvel enquanto Olivo, que me acompanhara no café se posicionara de forma que pudesse observar os movimentos na entrada do prédio. até as treze e trinta, nada ocorrera que pudesse suspeitar, apenas algumas senhoras com cães, crianças e alguns prováveis moradores. anotara cada entrada e saída, hora e minuto, detalhes, ocorrências.
Vicente fizera o registro da placa do automóvel e Gualtiero foi designado a descobrir procedência e proprietário. tais respostas só se deram dois dias depois, o desconhecido que desembarcara se tratava de um empresário de navegação, A. Hudtner. Sua presença fazia todo sentido .
Pelas quinze, um dos homens que o acompanhara saíra com o automóvel. Olivo o seguiu mantendo distância razoável, depois de visitar duas repartições do governo, ambas nas proximidades de Mayo, embarcou um homem obeso, carregava uma pasta de couro, preta. sentara num dos bancos traseiros, falava e fumava. dali, na Corrientes, retornaram a Telmo e estacionou o automóvel exatamente em frente ao edifício. não pareciam preocupados, nem desconfiavam que eram observados.
o gordo ao qual chegara se tratava de Obilles, um advogado influente na Corte Suprema, próximo ao governo de Perón, acesso livre a Farreli, diz-se que usado para os fins mais escusos, defensor dos mãos sujas que agem para fins questionáveis, supostamente úteis, ou necessários. Obilles era esse sujeito, enriquecia por saber demais.
Chegou. Entrou. Dez minutos, saiu. Um táxi providencial e não o vimos mais. não naquele dia.
à primeira impressão, tratava-se de alguém importante, mas não o conhecia, nem o vira em qualquer das situações que tive oportunidade de ser apresentado às autoridades governistas ou mesmo àquelas que se opõem ao atual mandatário na Rosada.
no café, de onde me postei para acompanhar os acontecidos e aguardar para que se confirme o que está previsto, consegui apenas dois ângulos razoáveis para o registro fotográfico. ao desembarcar, seguiram adiante, em oposição de onde me encontrava, tomaram a Chacabuco e desapareceram à esquerda, na esquina onde há uma loja de ferragens e Vicente os acompanhava.
relata que entraram numa das residências, um edifício de seis andares, localizado à direita, na metade geométrica da rua. conversamos rapidamente, evitamos nos manter na loja e na rua onde se instalaram e mudamos a tática, passamos a vigiar o automóvel enquanto Olivo, que me acompanhara no café se posicionara de forma que pudesse observar os movimentos na entrada do prédio. até as treze e trinta, nada ocorrera que pudesse suspeitar, apenas algumas senhoras com cães, crianças e alguns prováveis moradores. anotara cada entrada e saída, hora e minuto, detalhes, ocorrências.
Vicente fizera o registro da placa do automóvel e Gualtiero foi designado a descobrir procedência e proprietário. tais respostas só se deram dois dias depois, o desconhecido que desembarcara se tratava de um empresário de navegação, A. Hudtner. Sua presença fazia todo sentido .
Pelas quinze, um dos homens que o acompanhara saíra com o automóvel. Olivo o seguiu mantendo distância razoável, depois de visitar duas repartições do governo, ambas nas proximidades de Mayo, embarcou um homem obeso, carregava uma pasta de couro, preta. sentara num dos bancos traseiros, falava e fumava. dali, na Corrientes, retornaram a Telmo e estacionou o automóvel exatamente em frente ao edifício. não pareciam preocupados, nem desconfiavam que eram observados.
o gordo ao qual chegara se tratava de Obilles, um advogado influente na Corte Suprema, próximo ao governo de Perón, acesso livre a Farreli, diz-se que usado para os fins mais escusos, defensor dos mãos sujas que agem para fins questionáveis, supostamente úteis, ou necessários. Obilles era esse sujeito, enriquecia por saber demais.
Chegou. Entrou. Dez minutos, saiu. Um táxi providencial e não o vimos mais. não naquele dia.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Zarzo Xeno
era manhã de agosto e retornara à capital portenha por sugestão de Agustin Diaz, um propósito de ingressar entre operário e se firmar no labor do corpo para dedicar à mente o que interessava. desembarcara da Corveta que ousara atravessar o Atlântico solitária. fora, ao longo de anos, estivador em Madero e em La Boca onde vivera em Barracas dividindo teto, fogo e chão com xeneizes e estranhos del la Cordillera. Zarzo Vatiguero, como lhe conheciam, havia tomado cor e corpo depois da guerra em Espanha e assistido ao sangrento extermínio que Franco aplicara ao resistentes e sentira o sabor da guerra que se anunciava em campos europeus.
de periodistas que se encerravam nas pulperias aos drinques de cola e amargo fernet, recebera uma a uma indicações de distintas autoridades e de seus caprichos e luxúrias. - vai te sentar com a fulana, gosta disso e daquilo, tira dela tudo que lhe convier, especial que sejam segredos inconfessáveis de um general, outro banqueiro, senador e gente circulantes ao poder. assim se deu que Vatiguero encantou Merica Puentes e dela arrancou sua alma e tudo o mais que lhe permitia até entender que fazia nas entranhas o jogo sujo da política e enfrentar da mesma forma um e outro.
de periodistas que se encerravam nas pulperias aos drinques de cola e amargo fernet, recebera uma a uma indicações de distintas autoridades e de seus caprichos e luxúrias. - vai te sentar com a fulana, gosta disso e daquilo, tira dela tudo que lhe convier, especial que sejam segredos inconfessáveis de um general, outro banqueiro, senador e gente circulantes ao poder. assim se deu que Vatiguero encantou Merica Puentes e dela arrancou sua alma e tudo o mais que lhe permitia até entender que fazia nas entranhas o jogo sujo da política e enfrentar da mesma forma um e outro.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
noite em Madero
diz-se do desembarque em Madero, era noite quase à zero. chegaram em fim de tarde, mas Hector orientara que aguardassem, as madrugadas acolhem melhor a sombra. ouviram rádio que lhes distraíssem à espera, café e água, pães, manteiga e frutas. o dia aquecido de maio era próprio de verânicos, mas o vento pampeano refrescou e quando tocaram o solo porteño usavam chapéus, polainas, cachecol. em meio ao grupo, de conversas cochichadas, sem que invocasse atenção, um homenzinho de passos trôpegos pelos dias de embarque seguia sob os cuidados de outros dois que atentavam aos movimentos débeis dos bêbados e prostitutas que dançavam a Cumparsita sob assovios e palavras malemolentes entoando o cancionismo daquelas eiras.
o homem que lhes aguardara nos cais indicou o caminho com um facho de lanterna de querosene e se juntou a outros dois, vestidos em uniformes militares, e não se demoraram dois cochês a apanhá-los. fizeram parada entre a Chacabuco e Bolivar e se hospedaram num hotel esvaziado até que lhes assegurassem o bom embarque.
não por acaso, a noite se alongou nas prosas e de longe se avistava as silhuetas de dois homens, corpulentos, uma mulher e um outro, o local que lhes conduzira e lhes recebia hospitaleiro. falavam de se ouvir longe o eco que se diluía e se recolheram pelas quatro.
o que testemunhara o ocorrido anotara em detalhes cada ponto que lhe conviera, no silêncio frio da noite assegurara a presença de Áquila, como lhe asseguravam, desembarcara. anotara cinco pontos de exclamações anotados lado a lado no alto de uma das cinco, ou seis, páginas que descrevera em detalhes perfis e indumentárias, comportamento e eventuais palavras dialogadas, trejeitos e uns deslizes.
dali, desceu a Bolivar até a Calvo e se sentou numa das mesas, releu as notas e uma xícara de café, duas medialunas, fumou la pipa rota, como apelidara seu preferido, e circulara as exclamações destacando para a posteridade o entusiasmo daquela noite.
como lhe chegara a mensagem, ele estava lá, com seus estafe, ele e outros que dias antes desenharam a fuga sob acertos e acordos que se tornariam suspeitos ao longo dos anos e desprezível porque se tornaria impossível aos mais sensatos, aos mais razoáveis, só os que detém no absurdo, e por ser absurdo, é que darão crédito aquilo que está por ser revelado. breve.
o homem que lhes aguardara nos cais indicou o caminho com um facho de lanterna de querosene e se juntou a outros dois, vestidos em uniformes militares, e não se demoraram dois cochês a apanhá-los. fizeram parada entre a Chacabuco e Bolivar e se hospedaram num hotel esvaziado até que lhes assegurassem o bom embarque.
não por acaso, a noite se alongou nas prosas e de longe se avistava as silhuetas de dois homens, corpulentos, uma mulher e um outro, o local que lhes conduzira e lhes recebia hospitaleiro. falavam de se ouvir longe o eco que se diluía e se recolheram pelas quatro.
o que testemunhara o ocorrido anotara em detalhes cada ponto que lhe conviera, no silêncio frio da noite assegurara a presença de Áquila, como lhe asseguravam, desembarcara. anotara cinco pontos de exclamações anotados lado a lado no alto de uma das cinco, ou seis, páginas que descrevera em detalhes perfis e indumentárias, comportamento e eventuais palavras dialogadas, trejeitos e uns deslizes.
dali, desceu a Bolivar até a Calvo e se sentou numa das mesas, releu as notas e uma xícara de café, duas medialunas, fumou la pipa rota, como apelidara seu preferido, e circulara as exclamações destacando para a posteridade o entusiasmo daquela noite.
como lhe chegara a mensagem, ele estava lá, com seus estafe, ele e outros que dias antes desenharam a fuga sob acertos e acordos que se tornariam suspeitos ao longo dos anos e desprezível porque se tornaria impossível aos mais sensatos, aos mais razoáveis, só os que detém no absurdo, e por ser absurdo, é que darão crédito aquilo que está por ser revelado. breve.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
crown
noite alumiada por lâmpadas amarelecentas, chuvosa calçada, em tacos de saltos a marca da caminhada, Vatiguero, diz-se que seria, percorreu d'além da Praça na direção do antigo cais, seguindo pela rua do Moinho, como preferia chamar, tomou à esquerda, antes que alcançasse aquele pátio, e entre paredes abandonadas de casarios adormecidos, embarcou na Variant vermelha que descia lenta e o aguardara se aproximasse. à sombra, lhe espreitavam.
dali se diz foi a última vez visto. contesta-se. apanhara em San Juan de Santelmo a Callao ou em Once para que derivasse aos pueblos de Navarro e cercanias, onde quer, a data que lhe asseguravam sua última aparição não era esta a que se refere sua caminhada nas ruas estreitas da pequena capital que dá a mares meridionais.
asseguram que fora ao Peru, de onde era nascido, ou seu pai, e lá se refugiara. ninguém sabe, senão dessas anotações que ilustram coisas que o mundo sequer imagina, nomes, datas, acontecimentos, desses mistérios.
desde esquecido, uns dias pra cá, todas as noites, lembrado nas ondas da rádio, à hora cheia quando o corvo de Poe desperta e entoa prenúncios de que o mundo nunca mais será o mesmo.
dali se diz foi a última vez visto. contesta-se. apanhara em San Juan de Santelmo a Callao ou em Once para que derivasse aos pueblos de Navarro e cercanias, onde quer, a data que lhe asseguravam sua última aparição não era esta a que se refere sua caminhada nas ruas estreitas da pequena capital que dá a mares meridionais.
asseguram que fora ao Peru, de onde era nascido, ou seu pai, e lá se refugiara. ninguém sabe, senão dessas anotações que ilustram coisas que o mundo sequer imagina, nomes, datas, acontecimentos, desses mistérios.
desde esquecido, uns dias pra cá, todas as noites, lembrado nas ondas da rádio, à hora cheia quando o corvo de Poe desperta e entoa prenúncios de que o mundo nunca mais será o mesmo.
sábado, 7 de novembro de 2015
Vatiguero
desde fins dos oitenta que se sugere tenha sido visto pelas noites, quando dizia sua alma despertar, dialogar com fantasmas do mundo lhe revelando palavras. desde um acidente num subterrâneo de Buenos Aires que lhe despertou olhar para as coisas de passagem. nada lhe era estranho suficiente, nenhum desejo lhe dominara e todos os pecados capitularam, salvo o orgulho ou a vaidade, nem se tem como dizer com precisão.
acessara a corte daqueles que reconhecem os mistérios do mundo e travam a luta diária contra usurpadores, vândalos de elegância ímpar, senhores da guerra, donos-do-mundo. dizia assegurado terem encontrado o meio de ouvir coisas passadas, palavras em detalhes, redesenhando os dias, reconhecendo impressa a verdade, nenhuma fantasia.
há anos, atravessara à noite enquanto a chuva de inverno serenava e as pedras das ruas refletiam amarelas lâmpadas oscilantes. seus passos percorreram molhados até entrar num carro que lhe aguardava. há quem lhe seguisse, nunca soube se lhe alcançou e de Vatiguero, só agora, ouço anotações esquecidas num baú de infância, coisas do acaso.
acessara a corte daqueles que reconhecem os mistérios do mundo e travam a luta diária contra usurpadores, vândalos de elegância ímpar, senhores da guerra, donos-do-mundo. dizia assegurado terem encontrado o meio de ouvir coisas passadas, palavras em detalhes, redesenhando os dias, reconhecendo impressa a verdade, nenhuma fantasia.
há anos, atravessara à noite enquanto a chuva de inverno serenava e as pedras das ruas refletiam amarelas lâmpadas oscilantes. seus passos percorreram molhados até entrar num carro que lhe aguardava. há quem lhe seguisse, nunca soube se lhe alcançou e de Vatiguero, só agora, ouço anotações esquecidas num baú de infância, coisas do acaso.
sábado, 10 de outubro de 2015
ali, lá, acolá, ...
onde mora o futuro? que lugar é esse que se alcança em breve, mas agora dista um tempo ínfimo? o futuro é ali, mas é também lá no fim de tudo. a distância entre o ali, quase-nada, e o extremo dos extremos é um incógnita constante. pode não ser nada, mas pode levar uma vida. remete à ideia do singular e do plural, um sempre singular, do dois ad infinitum, plural. assim o tempo medido, identifico matematicamente o passado, sei onde e quando está, suposto que agora, esse exato momento, o presente. nunca o futuro.
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