sexta-feira, 25 de março de 2016

abril, tão triste abril

o que há de se esperar para esse abril que se anuncia?
folhas no chão, o vento que castiga esquinas, nada que se avente além. afronta ares que aqui se respira, dessa gente descabida em intentos senão a esfolarem míseros pedintes e a esnobar-me com hálitos de fortuna. desfilam vestes de soberba, cospem-me, despem-me, sujeitam-me ao achincalho e descaso. serei quem desde ali, do mês que a tudo se finda, tudo começa?
serei um homem de guerra, adianto, ainda que fôlego não me coloque em campo de batalha, nem pernas, nem braços, apenas o intento de uma alma que se estremece diante do dias, das incertezas que abril me invoca.
tão triste é abril, mês invocado. 

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