sábado, 26 de março de 2016

dos códigos da paz, I

ao fim da tarde, ouvia-se tiros isolados, espaçados. sabe-se lá quem, por quê. às ruas em ruínas exalam dos cadávres o cheiro pútrido da morte. longe, desforra, convulsões. gritos, chamados, até se silenciarem e o que parecia descanso, desespero. depois dos homens ratos, daí cães famintos, o frio da noite e a escuridão. a fome e a sede. daí a dor, gemidos lancinante, alucinante. pernas inertes, os braços se ocupavam, em vão, largar-se dos escombros e calor. gritou o nome de seus mortos, sabendo que já estavam, ainda assim gritou cada um deles. cansou. dormiu. despertou trêmulo em febre, ofegante. rezou que lhe arrancassem da vida, que libertassem da dor que lhe subia as entranhas, repousava no peito agulhadas terríveis e o sangue seco nos lábios lhe amargavam à madrugada. fez-se perguntar, quando do primeiro tiro, antes não respondesse, antes sua vaidade não lhe convocasse à desforra, antes antes, agora isso, o fim eminente.

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