sábado, 26 de março de 2016

de Avicena e amores tortos

a covardia é de tom lilás, diz-me.
é. digo, lilás.
nem importo. conheço dessas.
ora isso, aquilo. caprichos. exigências.
Avicena deslumbrou caminhos do conforto, desconforto, dissimulações, a poltrona nas noites de inverno, sombras de primavera.
alinhou instâncias, escreveu em códigos, insinuou ilusões. promessas.
mentiu (sem condescendência, mentiu).
agora isso.

manhã de domingo e a missa nem encerrada e me acena em seu preto-luto intenções. antes, quando havia no pretérito o propósito de futuros, renunciara, por caprichos.
- filha, lhe disseram. - toma tento, toma. tomou.
fui, avariado no desassossego à guerra, uns campos de solidão e vento nas ventas.

é sol de outro dia e agora o aceno.
rio de passagem.

quanto custa um desatino?

beijos os pés dos humildes, meu nome é Ninguém, feliz assim, nisso, nem nada.

o sabor ácido do vinho me reluz.
se quiser, ainda uma taça. não espere mais.

 sossegou. o infortúnio lhe confortava.

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